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domingo, 14 de agosto de 2016

Luiz Estevão reformou ala da Papuda onde está preso, diz MP

 Ministério Público compara ex-senador, preso desde março, ao colombiano Pablo Escobar, que construiu sua própria prisão. Informações foram confirmadas pelo réu em depoimento. Instalações dos presos do bloco 5 da CDP fazem inveja aos outro penitenciários.

O ex-senador Luiz Estevão reformou o Bloco 5 do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Papuda, no Distrito Federal, onde está preso desde março. A denúncia é do Ministério Público do Distrito Federal e foi confirmada pelo ex-senador em depoimento. No prédio, estão localizadas as alas de vulneráveis, de ex-policiais e de presos federais. Em depoimento, Luiz Estevão, que é dono de uma construtora, afirmou que reformou a ala do presídio atendendo ao pedido do ex-ministro de Justiça Márcio Thomaz Bastos, falecido em 2014, que estaria preocupado com o destino dos seus clientes da Ação Penal 470, conhecida como mensalão. Não há nenhum registro oficial da obra, que levou mais de seis meses e implicou na mudança de todo o arquivo do sistema prisional do DF.

ESTEVÃO NO BANHO DE SOL.
Na ação, os promotores comparam o caso com o narcotraficante colombiano Pablo Escobar. “Um marco histórico da criminalidade, quando Pablo Escobar construiu La Catedral, sua própria prisão na Colômbia”, lembram. Segundo o MP, a forma como foi realizada a obra teve o intuito deliberado de ocultar seus verdadeiros propósitos. Os investigadores ouviram profissionais que trabalharam na obra e tiveram acesso às notas fiscais das compras dos materiais empregados na reforma do bloco 5 da CDP.

Diante dos fatos, na última sexta-feira (5) o MP ajuizou ação de improbidade administrativa – desrespeito aos princípios da administração pública como impessoalidade, moralidade e publicidade – contra o ex-senador Luiz Estevão e a cúpula do sistema prisional do DF à época: o então subsecretário do Sistema Penitenciário (Sesipe), Cláudio de Moura Magalhães; o coordenador-geral da Sesipe, João Helder Ramos Feitosa; e o diretor do CDP, Murilo José Juliano da Cunha. Na ação, há o pedido liminar de indisponibilidade dos bens dos réus. 

A CELA FOI REFORMADA
Luiz Estevão está preso desde março deste ano com base no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) que permite que sejam detidos réus condenados em segunda instância. O ex-senador foi condenado a 31 anos de reclusão pelos crimes de corrupção ativa, estelionato, peculato, formação de quadrilha e uso de documento falso. Procurado pela reportagem, o advogado de Luiz Estevão, Marcelo Bessa, não atendeu às ligações. Fonte: Agencia Brasil

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