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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Ex-vereador de Goiânia nega ter entregado dinheiro a Perillo e diz que gravações da PF são "montagens"


·         O ex-ve­re­ador de Goi­ânia Wla­dimir Hen­rique Garcez, preso pela Ope­ração Monte Carlo, disse hoje (24) em de­poi­mento à Co­missão Par­la­mentar Mista de Inqué­rito (CPMI) do Ca­cho­eira que nunca en­tregou di­nheiro ao go­ver­nador de Goiás, Mar­coni Pe­rillo (PSDB), e que as gra­va­ções feitas pela Po­lícia Fe­deral no inqué­rito são "mon­ta­gens". Se­gundo ele, a ida à sede do go­verno de Goiás ocorreu para apre­sentar um sis­tema de pro­pa­ganda in­door ao go­ver­nador. "Nem se­quer fui aten­dido", disse Wla­dimir. "Não ocorreu a fan­ta­siosa en­trega de di­nheiro, na praça", des­tacou. " são mon­ta­gens, e a ordem dos diá­logos não é a mesma. Per­cebi muitas mo­di­fi­ca­ções", des­tacou.
 Wla­dimir está preso desde o dia 29 de fe­ve­reiro, quando foi de­fla­grada a Ope­ração Monte Carlo, que in­ves­tigou a su­posta or­ga­ni­zação cri­mi­nosa co­man­dada pelo em­pre­sário de jogo ile­gais Carlos Au­gusto de Al­meida Ramos, o Car­li­nhos Ca­cho­eira. No inqué­rito, o ex-ve­re­ador é apon­tado como um dos prin­ci­pais co­la­bo­ra­dores de Ca­cho­eira, com o papel de fa­ci­litar as re­la­ções do grupo com agentes pú­blicos. O ex-ve­re­ador con­firmou que era con­tra­tado pela em­presa Delta Cons­trução, sus­peita de li­gação com a or­ga­ni­zação in­ves­ti­gada. Ele disse que tra­ba­lhava como as­sessor do então di­retor re­gi­onal da em­presa no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Por esse tra­balho, o ex-ve­re­ador re­cebia R$ 20 mil.
 Wla­dimir também disse que re­cebia men­sal­mente de Car­li­nhos Ca­cho­eira R$ 5 mil para as­ses­sorá-lo em sua em­presa de me­di­ca­mentos. O in­te­resse tanto da Delta quanto do em­pre­sário Car­li­nhos Ca­cho­eira no tra­balho do ex-ve­re­ador, se­gundo seu de­poi­mento, ocorreu pela pro­xi­mi­dade que ele tinha ou apa­ren­tava ter com au­to­ri­dades po­lí­ticas em todas as es­feras. Essas re­la­ções, se­gundo ele, foram cons­truídas du­rante o tempo que foi ve­re­ador e pre­si­dente da Câ­mara Mu­ni­cipal de Goi­ânia. "Para me 'ca­cifar' eu de­mons­trava ter mais poder, mais força", contou o ve­re­ador.

Após ler o de­poi­mento ini­cial, o ex-ve­re­ador evocou o di­reito de per­ma­necer ca­lado. Os de­pu­tados e se­na­dores da CPMI co­gi­taram en­cerrar a reu­nião, no en­tanto, o re­lator, de­pu­tado Odair Cunha (PT-MG) in­sistiu em for­mular per­guntas ao de­po­ente. A sessão pros­segue neste mo­mento no Se­nado.
Ainda hoje, estão pre­vistos mais dois de­poi­mentos, de Idal­berto Ma­tias de Araújo, co­nhe­cido como Dadá, e do jor­na­lista Jairo Mar­tins de Souza. Ambos tra­ba­lhavam para Ca­cho­eira. Jairo está em li­ber­dade e Dadá foi preso na Ope­ração Monte Carlo. O ad­vo­gado dos dois, Le­o­nardo Gagno, disse hoje que eles não devem res­ponder a per­guntas.

"Eles não vão falar, porque a ma­téria de prova está toda cal­cada em es­cutas te­lefô­nicas que nós sus­ten­tamos que são ile­gais. Para se­guir uma linha de de­fesa co­e­rente, temos que nos manter em si­lêncio e exercer esse di­reito cons­ti­tu­ci­onal de não in­correr em au­toin­cri­mi­nação. Isso serve para que eles possam pre­servar a de­fesa deles", disse o ad­vo­gado.

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